SINTUFEPE UFPE marca presença no 4º Encontro de Mulheres da América Latina e do Caribe, em Buenos Aires

Conferência, Direito da Mulher - 06/08/2026

Nos dias 24, 25 e 26 de Julho de 2026, foi realizado o 4º Encontro de Mulheres da América Latina e do Caribe, na Facultad de Ciências Sociales, da Universidad de Buenos Aires. Cerca de 1300 mulheres, de 13 países, estiveram presentes nos três dias do encontro, apresentando a conjuntura política, econômica e social de cada país e debatendo em grupos de trabalho propostas para o enfrentamento da desigualdade de gênero em todas as suas dimensões. A delegação brasileira foi composta por quase 60 mulheres, sendo 2 representantes do SINTUFEPE/UFPE: a coordenadora de Políticas para as Mulheres, Cecília Arruda, e a companheira da base, Valéria Pinheiro. Outras representações de entidades vinculadas à FASUBRA também estiveram presentes, como o SINTUFRJ e a ASSUFSM.

Embora cada país tenha apresentado suas especificidades históricas e políticas, há elementos comuns que atravessam a conjuntura latino-americana e caribenha. A ofensiva do capital e do imperialismo aparece como um dos principais fatores de aprofundamento das desigualdades, materializando-se em políticas de austeridade, privatizações, desfinanciamento dos serviços públicos, retirada de direitos trabalhistas, precarização do trabalho e entrega de recursos estratégicos aos interesses estrangeiros.

Em diversos países, esse cenário é acompanhado pelo fortalecimento de governos de direita e extrema direita,pelo avanço de práticas autoritárias, pela criminalização dos movimentos sociais e pelo enfraquecimento da soberania nacional. As mulheres são as mais impactadas por essa conjuntura. Em praticamente todos os relatos, destacaram-se a feminização da pobreza, a sobrecarga do trabalho de cuidado não remunerado, a informalidade e a precarização do trabalho feminino, a desigualdade salarial e a persistência de elevados índices de violência de gênero, feminicídios e impunidade.

As exposições também evidenciaram que essas desigualdades se aprofundam quando articuladas às dimensões de classe, raça, etnia e território, atingindo de forma ainda mais severa as mulheres indígenas, negras, camponesas, rurais e periféricas. Ao mesmo tempo, um elemento unificador das análises foi a centralidade da resistência popular. Apesar do agravamento das crises econômicas, sociais e políticas, os diferentes países relataram experiências de mobilização das mulheres, da classe trabalhadora, dos povos originários, do campesinato, da juventude e dos movimentos sociais em defesa da democracia, da soberania, dos direitos sociais e da justiça de gênero. As intervenções convergiram na compreensão de que o enfrentamento às múltiplas formas de exploração e opressão exige fortalecer a organização coletiva e construir respostas articuladas entre os povos da América Latina e do Caribe.

Nesse sentido, os grupos de trabalho organizados em 16 eixos temáticos discutiram e propuseram estratégias de organização e fortalecimento da luta das mulheres, apontando para a necessidade de uma mobilização popular e internacionalista. O 4º Encontro aprovou uma declaração que denuncia a situação na América Latina e no Caribe, convocando todos os povos a se unirem no enfrentamento às opressões.